4 de março de 2010

Buscando

É, sei lá
É.
Não dá pra saber

(Poema a quatro mãos e duas mentes ociosas no trabalho...)

3 de março de 2010

Entrelivros (6)

"E mais, seu amor ao animal é um amor espontâneo, não é forçado por ninguém. (...) O amor entre o homem e o cão é idílico. É um amor sem conflitos, sem cenas dramáticas, sem evolução. Em torno de Tereza e de Tomas, Karenin traça o círculo de sua vida, baseada na repetição, esperando deles a mesma coisa.
Se Karenin fosse um ser humano e não um animal, certamente já teria dito a Tereza, há muito tempo: "Escuta, não acho graça de todos os dias ter que levar um croissant na boca. Não poderia descobrir uma brincadeira diferente?" Essa frase contém toda a condenação do homem. O tempo humano não gira em círculos, mas avança em linha reta. Por isso o homem não pode ser feliz, pois a felicidade é o desejo da repetição."

(A insustentável leveza do ser, again!)

Entrelivros (5)

"O romance não é uma confissão do autor, mas uma exploração do que é a vida humana, na armadilha em que se transformou o mundo."

(A insustentável Leveza do Ser)

Entrelivros (4)

"Ela (a vida humana) é composta como uma partitura musical. O ser humano, guiado pelo sentido da beleza, transpõe o acontecimento fortuito (uma música de Beethoven, a morte numa estação) para fazer disso um tema que, em seguida, fará parte da partitura da sua vida. Voltará ao tema, repetindo-o, modificando-o, desenvolvendo-o e transpondo-o, como faz um compositor com os temas de sua sonata. (...) O homem inconscientemente compõe sua vida segundo as leis da beleza mesmo nos instantes do mais profundo desespero.
O romance não pode, portanto, ser censurado por seu fascínio pelos encontros misteriosos dos acasos (...) mas podemos com razão, censurar o homem por ser cego a esses acasos na vida quotidiana, privando assim a vida da sua dimensão de beleza."

(A Insustentável Leveza do Ser)

Entrelivros (3)

"Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida se o primeiro ensaio da vida é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. (...) Tomas repete para si mesmo o provérbio alemão: einmal ist keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Não poder viver senão uma vida é como não viver nunca."

(Novamente, Milan Kundera, A insustentável Leveza do Ser.)

25 de fevereiro de 2010

Uma pequena pausa para um breve agradecimento...
10 SEGUIDORES! Eu queria mandar um beijo pro meu pai,pra minha mãe, pros meus amigos e especialmente pra você!

=D

Entrelivros (2)

"Digamos, portanto, que a idéia do eterno retorno designa uma perspectiva na qual as coisas não parecem ser como nós a conhecemos: elas nos aparecem sem a circunstancia atenuante de sua fugacidade.
Essa circunstância atenuante nos impede, com efeito, de pronunciar qualquer veredicto. Como condenar o que é efêmero? As nuvens alaranjadas do crepúsculo douram todas as coisas com o encanto da nostalgia, inclusive a guilhotina."

(Desconsiderando todo o complexo contexto, esse trecho me responde uma pergunta antiga: sim, a nostalgia do pôr do sol é universal. Ou quase.
Ahh, Milan Kundera, A insustentável leveza do ser )

Entrelivros Inaugural

" Desejava talvez confidenciar a alguém todas essas coisas. Mas explicar um inexplicável mal-estar, que muda de aspecto como as nuvens e que se move em turbilhão como o vento? Faltavam-lhe, pois, palavras, ocasião e coragem. "

[Inaugurando "Entrelivros", que surge com o objetivo de mostrar meus trechos
preferidos dos livros, que acabam se tornando também livros preferidos. Alguns desses trechos apenas me encantam. Com outros eu me identifico. Outros me encantam e fazem com que eu me identifique tanto que eu fico imaginando se (e por que) não fui eu mesma quem escrevi.
O trecho acima é o melhor (para mim, claro) de MADAME BOVARY, Gustave Flaubert. Sinto uma perfeita compaixão (de sentimento e não de sofrimento) pela Emma Bovary nesse momento. É desses que faço um sério esforço pra identificar se foi escrito por mim ou não. Jamais com a pretensão de me comparar com Flaubert, mas é inexplicável como em alguns momentos esse excerto me explica.]