10 de abril de 2010

Erro de interpretação

Esses dias fiquei sabendo de uma conversa mais ou menos assim:

" E: Numa escala de 0 a 10, quantos parafusos vocês acham que faltam na A. ?

A: Ihhhh, pode parar tá?? Não me falta nenhum não, eu tenho é sobrando! "

Conclusão: Estávamos vendo o 'problema' pelo ângulo errado.

(Eu juro que tentei achar parafusos roxos...)

7 de abril de 2010

Rompante (Dilacero)



Não me limite, não me enquadre.
Não me ponha em uma sala cinza.

Me deixe no vento, embaixo do céu azul.
Me deixe em baixo das árvores, me deixe em contato.

Me dê cores, me dê cantos de pássaros,

me dê flores, me dê momentos.
Liberte-me, assim eu fico.


Não me enquadre, não me limite.

Permita-me.

Me deixe viva.

1 de abril de 2010

Borboletas


Ser eu é cada dia mais intrigante

Acho um pouco de mim aqui e ali,
em uma palavra,
em um trecho,
em uma canção.

Perco um pouco de mim aqui e ali também,
em um livro,
uma piada,
uma discussão.

Vou me contruindo,
reconstruindo. Descobrindo.
Incrível (e espantoso)
como tem sido prazeroso.

(Da poesia terapêutica auto-avaliativa. Estão em casa, comentem sem pudor.)

29 de março de 2010

Herança

As tardes de sábado são o presente que compensa o resto da semana.
Faço um esforço enorme, puxo na memória, mas não consigo me lembrar como essa história começou. Na verdade, me esqueci de partes talvez relevantes dela. Estou, provavelmente, misturando duas ou mais histórias. Só ficou o que eu vi, não por coincidencia, as melhores partes.

"Filha, o que interessa é que o homem saiu por aí me enchendo de desaforo,cheio de covardia. E isso não é muito raro pra mim não, mas vindo desse homem eu não ia ficar queto. Já falei que não ia morrer sem matar um padeiro mesmo.

E tem um preto amigo meu ali na rua debaixo, homem bom, vive trabalhando, que tem uma moto velha lá. Toda vez que eu passo por ele lá embaixo vira uma gritaria besta um pro outro 'ÊêêÊeê, seu Antônio!' ' Ôôôôô Preto!'. HAHAHA!

Então eu fui filha. Coloquei o revolver no banco e fui pra furar o peito do sem vergonha. E tava naquela tensão né, aquela expectativa enquanto eu dirigia a camionete pra casa do desgramado. De repente ' Êêêêêêêêêêêêêôôôôôôôôôô Seu Toin!".

Tomei um susto desgraçado, a camionete ia pra esquerda, ia pra direita, o coração parecia que ia arrancar o peito fora. Era o preto passando na moto velha, não é que eu não vi?

' Que que foi sei Toin, assustei o senhor dessa vez?' 'Ahhh, vai embora, outra hora nóis conversa.'

Mas eu fiquei bambo de um tanto, de um tanto, que voltei pra casa. Na hora que eu cheguei, sua tia veio toda doida perguntando se eu tinha feito mesmo 'Fiz nada, sô! Eu é que quase morro de susto!'

Pois é filha, eu vi é que eu tinha minha parte de covarde também, que a gente acha que é muito corajoso, mas que no final das contas é mais covarde ainda. E imagina agora eu ia tá encrencado com isso aí, preso até. Tem hora né filha que um amigo salva mesmo a gente...

'Eu acho que é sempre, vô. Eu acho que é sempre.' "

(Porque todo mundo constrói o seu legado.)

Absorção

Minha mente é sinestésica.
Minha imaginação fértil demais.

O que eu ouço, eu vejo.
Histórias de cafeteria, histórias que não são minhas,
Eu vejo.
Não tenho culpa por invadir outros mundos assim,
eles que chegam a mim.
As dores tem cores, os causos tem cenários.
O contador é personagem na história que conta.

O que meu olhos fitam eu não vejo.
Só vejo o que ouço.
E o que fica em minha mente,
em minha cabeça perturbada,
é só o que foi visto.

Depois disso, não me arme com um lápis e um papel.

24 de março de 2010

Devaneios da aula de Micro 3





(Fugindo um pouco do estilo do blog...)

22 de março de 2010

Muito

A idéia da morte me apavora.

Só teme perder tudo quem tem muito a perder.
Muito que vale alguma coisa.
Perder uma parte de mim é perder muito. Muito.

Eu tento viver minha vida sem pensar nisso,
Aproveito cada segundo de cada tesouro que tenho
Vivo em um presente, literal e figurado.
Mas as vezes o medo toma conta de mim.

Não há nada em mim além daqueles que amo.
Perder uma parte de mim é perder tudo.

(Desculpem pela não diversão deste...)

16 de março de 2010

Mais valia

O orgulho do trabalhador é suicídio.
Enche a boca "Trabalho desde os doze anos."
Pra quê? Pra quem?

Trabalhemos apenas para nós.