7 de junho de 2016

Sob clichês

Não há nada de novo sob o sol

aproveitar todo dia
ser feliz para sempre
não arrepender do que faz mas do que não faz
trabalhar pra viver, não viver pra trabalhar
eu desligo, não, você desliga
dinheiro não traz felicidade
mas também não tira
onde você pensa que vai
só acredito vendo
o final de todo mundo é o mesmo
o que interessa é como é que chega lá

Não há nada de novo sob a lua e há tempos não me sinto tão feliz.


(hoje eu acordei 5:30 e almocei um miojo. Os gatos tão dormindo aqui do lado e amanhã não tem aula.)

3 de junho de 2016

Duas semanas ou mais

Ê, essa vida...

Tanto caminho truncado, tanta árvore rosa,
tanto carro fervendo, tanto buraco e poça.

tanta batida sem culpa,
tanto minino cum fome,
tanta corrida sem freio,
tanta gente sem nome

tanto tempo apertado
tanto almoço perdido
tanto dinheiro emprestado desaforo escutado conta atrasada  ajuda bem dada página escrita
nota errada entrada atrasada arma apontada seta não dada  náusea controlada melodia cantada
uma pá de risada resultado obtido

Ufa!
Taaaanta coisa pra lá. Taaanta coisa pra cá.
Eu continuo intrigada,
cansada,
disposta.

Caminho tortuoso também é caminho.

6 de maio de 2016

Ciranda

De brincadeira, 
botei uma culpa que não existe em alguém que não se culpa.
E de cara me lembraram qual é o meu lugar:
tanto o que eu me orgulho de estar
quanto o que eu não suporto permanecer.


E, em qualquer deles, cheia de falhas,
tudo que alcanço é a próxima tentativa


até quando der ou até não dar mais?

De brincadeira,
essa vida não tem nada.

19 de janeiro de 2016

Fumaça

Uma vez eu perguntei pra velha por que é que tanta gente não me via:
"não é você que é invisível, fia,
essa gente é que é cega "

Outra vez quis eu saber por que que não aparecia um trem que eu
( achava )
queria:
"fia, tem canto pra ser feito só na bêra da fuguêra"

Daí eu percebi que tô sempre na bêra da corda, 
de tudo que é corda,
trastejando, bambeando, absorvendo:

posso sempre escolher dizer a verdade.


9 de dezembro de 2015

Goiana

Menino véi, uma pá de árvore

Fora
falta 
flor
falta 
fruta
falta 
cerne

Mata, falta de mato.


23 de outubro de 2015

Oração

que todos sintam assim:

eu sei de mim
e o que faço condiz
eu sou de mim
e, após isso, só sou.

que todos entendam assim:

não há pureza mais pura que a minha mistura.

1 de outubro de 2015

Raios


Rostos navegam por rios e ruas
cortam-se árvores por medo da chuva,
cortam-se árvores para não desviar fios

RAIOS! 

de fios que enroscam só me interessam seus cabelos.

Qual a diferença mesmo entre rios e ruas?

Primavera


a pele da flor
à flor da pele
a flor da pele
à pele da flor

é só sintaxe
é só sentir-se