Sou vontade de tudo e transbordo
Atrai-me o calor
do sol que queima
do hálito que embaça
da água que banha a pele e escorre
percorrendo ares, cores e vales,
tudo que é presenciável
tudo que é lacrimal
Não me interessa o frio
Calafrio que esquenta é que é convite.
"Não quero mais saber do lirismo que não é libertação." Manuel Bandeira
24 de novembro de 2016
6 de setembro de 2016
Pele
Nas árvores desfolhadas
me percebo em pedaços
no peito amado
me desfaço em soluços
puros, certos, tensos, aliviados
Passo por momentos eternos
nunca vistos antes
onde nunca estive:
madrugada ébria,
me desvisto crua
pura, certa, tensa, aliviada
É um caos e me situo nua
sem coragem, crua e sua
onde nunca estive antes.
23 de agosto de 2016
Ateliê
Há dias me mandaram enxergar direito,
me disseram que era tudo culpa minha
e me mandaram abrir os olhos.
Mas disso eu já sabia.
Me disseram que era tudo culpa minha
e que eu segurava o que devia estar oferecendo.
E que na pele eu ia perceber o que acontece
quando não me passo dos limites.
E disso eu não sabia.
Me mostraram que eu ia me preencher
de tudo que eu botasse pra dentro.
E me questionaram se era daquilo mesmo
que eu queria ser contida.
E eu não fazia ideia.
Não fazia ideia das distrações
da amplitude delas
da importância delas
de como é fácil passar por uma noite,
de como uma noite é uma vida
e de como uma vida é só uma noite dilatada.
"Não há o que ser a não ser o que é"
De lá pra cá eu não parei de ouvir
E me disseram que o cansaço não existe,
porque o trabalho é infinito
e o amor é o tubérculo que dá a liga.
(para ler provavelmente ao som de: )
9 de agosto de 2016
Lavoura
"Não existe o que é bom
não existe o que é ruim
não existem sequer as distrações.
Segura minha mão e fica comigo,
porque você já está lá
e é só o que há.
Afina e mantém,
o resto é distração."
Muito de mim se perdeu e, ao contrário do que eu imaginava, só fiquei maior.
(eu tinha tanto pra anotar
e anotei tudo mentalmente.
No final só conseguia lembrar
que precisava de um bloco de notas)
20 de junho de 2016
Reinado
O que parece vir de fora para dentro
também vem de dentro para fora.
Sou do sol!
que ele reine sobre mim
Sou da lua.
há sempre sobrevida
Sou do sonho...
com calma, atinge-se o Universo.
Depois que todos foram embora,
fiquei só comigo mesma.
E nós somos tantas!
7 de junho de 2016
Sob clichês
Não há nada de novo sob o sol
aproveitar todo dia
ser feliz para sempre
não arrepender do que faz mas do que não faz
trabalhar pra viver, não viver pra trabalhar
eu desligo, não, você desliga
dinheiro não traz felicidade
mas também não tira
onde você pensa que vai
só acredito vendo
o final de todo mundo é o mesmo
o que interessa é como é que chega lá
Não há nada de novo sob a lua e há tempos não me sinto tão feliz.
(hoje eu acordei 5:30 e almocei um miojo. Os gatos tão dormindo aqui do lado e amanhã não tem aula.)
aproveitar todo dia
ser feliz para sempre
não arrepender do que faz mas do que não faz
trabalhar pra viver, não viver pra trabalhar
eu desligo, não, você desliga
dinheiro não traz felicidade
mas também não tira
onde você pensa que vai
só acredito vendo
o final de todo mundo é o mesmo
o que interessa é como é que chega lá
Não há nada de novo sob a lua e há tempos não me sinto tão feliz.
(hoje eu acordei 5:30 e almocei um miojo. Os gatos tão dormindo aqui do lado e amanhã não tem aula.)
3 de junho de 2016
Duas semanas ou mais
Ê, essa vida...
Tanto caminho truncado, tanta árvore rosa,
tanto carro fervendo, tanto buraco e poça.
tanta batida sem culpa,
tanto minino cum fome,
tanta corrida sem freio,
tanta gente sem nome
tanto tempo apertado
tanto almoço perdido
tanto dinheiro emprestado desaforo escutado conta atrasada ajuda bem dada página escrita
nota errada entrada atrasada arma apontada seta não dada náusea controlada melodia cantada
uma pá de risada resultado obtido
Ufa!
Taaaanta coisa pra lá. Taaanta coisa pra cá.
Eu continuo intrigada,
cansada,
disposta.
Caminho tortuoso também é caminho.
Tanto caminho truncado, tanta árvore rosa,
tanto carro fervendo, tanto buraco e poça.
tanta batida sem culpa,
tanto minino cum fome,
tanta corrida sem freio,
tanta gente sem nome
tanto tempo apertado
tanto almoço perdido
tanto dinheiro emprestado desaforo escutado conta atrasada ajuda bem dada página escrita
nota errada entrada atrasada arma apontada seta não dada náusea controlada melodia cantada
uma pá de risada resultado obtido
Ufa!
Taaaanta coisa pra lá. Taaanta coisa pra cá.
Eu continuo intrigada,
cansada,
disposta.
Caminho tortuoso também é caminho.
6 de maio de 2016
Ciranda
De brincadeira,
botei uma culpa que não existe em alguém que não se culpa.
E de cara me lembraram qual é o meu lugar:
tanto o que eu me orgulho de estar
quanto o que eu não suporto permanecer.
E, em qualquer deles, cheia de falhas,
tudo que alcanço é a próxima tentativa
até quando der ou até não dar mais?
De brincadeira,
essa vida não tem nada.
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