28 de março de 2012

Pétala

Eu quero flores

para enfeitar esse meu lado preto 
e branco
para me mostrar onde eu importo 
e quanto

para acabar com esse verso em pranto.

26 de março de 2012

Presente


A quem me deu tudo
a quem faz de Goiânia o meu Porto Seguro 
a quem me faz feliz, 
mais,
a quem me fez feliz

eu só posso dar o meu cheiro de filha.

Verso

Aversão a versão de vocês.

11 de março de 2012

Coragem

Me disseram que era melhor não.
Eu vou cantar pra ver.

7 de março de 2012

Por Fios

Algumas coisas simplesmente não são.
De alguns lugares também não somos.


A beleza talvez esteja no que faz a ligação.

4 de março de 2012

Purificação


Costuma-se dizer que ouvir certas coisas magoa. Certas coisas que são ditas obviamente magoam.
O problema é ouvir aquilo dito que não sabe-se que magoa - relaxa. É isso que faz nascer toda essa confusão do natural. A exigência do outro, aquilo que o outro diz que não imagina onde atinge, faz a naturalidade se tornar uma busca artificial. Percebe? É contraditório, e contradição não percebida gera confusão. Confusão é perigoso, é conflitante. Achar o ponto pode demorar um tempo, que não interessa quão jovem, é tempo perdido. É tempo perdido.  Ainda bem que as coisas evoluem e que muda-se de certezas, ainda bem que em uma mesma realidade, o plano torna-se mais completo e claro: algumas coisas simplesmente não são para que outras sejam, que bom.

Não preocupe-se, leva-se mesmo um tempo para achar o ponto. E ele varia, o que piora tudo. Mas não é isso que a vida é? Busca do ponto correto, do equilíbrio, do balanço?


Em um momento percebi que tudo tem o seu lugar. 
Talvez não haja lugar nenhum.



" ... a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente - atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar. " - Clarice Lispector

27 de fevereiro de 2012

Percepção

Eu sou essa pessoa que tenta agir naturalmente até perceber o quanto isso é contraditório.

16 de fevereiro de 2012

Peça

Primeiro sinal.

Segundo sinal.


Terceiro sinal.
Cortinas abrem. 

"

São tantas, tantas coisas.
O problema do meu mundo nesse momento é que ele é grande demais. Eu sou covarde, total e completamente covarde. Não há uma célula sequer que emane qualquer tipo de coragem. Tenho medo do tamanho do mundo, da velocidade do mundo, do tempo do mundo e de todo mundo. Tenho medo das decisões erradas. Tenho medo das opções, porque tenho medo dos possíveis caminhos e descaminhos. Tenho medo do futuro que construo e mais ainda daqueles que... Destruo. E não, discordância do que eu digo não é o que eu quero, palavras de conforto não é o que eu quero. O que eu quero, o que eu simplesmente quero, o que eu profundamente clamo por, o que eu desesperadamente tento, é arrancar do fundo do peito, da garganta, da alma, de não-sei-onde essa sensação de... de... de... dúvida. Incerteza. Possibilidade.Tantas opções, tantos caminhos, tanta diferença. Tantas considerações, tantos prós, tantos contras, tanta merda. Merda. Merda pra mim, já que já estou aqui mesmo. Já que quero estar aqui. Já que tenho que escolher onde mais quero estar. Onde mais não, onde, por que não podem ser duas respostas. Sei que vão me encher o saco, mas me deu vontade de xingar hoje. Xingar! HA HA HA HA HA HA, eu digo merda e já acho que estou xingando, HA HA HA HA HA HA HA HA! Cômico. Como? Estúpido. Isto? É, isto é estúpido (essa palavra parece que cospe, não parece?). Quem se importa? São minhas dúvidas, são meus problemas, é a minha covardia. É o meu tempo, minha perda de tempo, meu ganho de tempo, minha falta de tempo, minha viagem no tempo em um potencial futuro em que olhe pra trás e diga "Puta que pariu, o que foi que eu fiz?", minha volta no tempo. (Puta que pariu já é mais que merda, não é?). É tudo meu e eu não quero palavras de conforto. Eu não quero soluções. Eu quero vomitar palavras desagradáveis e insuportáveis. Eu quero detestar alguma coisa com força para poder negá-la com força. Quando o amor por algo é muito, nós abraçamos o algo. Quando a repulsa é irreparável, afastamos. O meio termo é insuportável.
Todo o mediano é nauseante, é insosso, é sem vida. É falta de vida que se espalha pela vida inteira. E falta de sentimento também é tristeza.

"

Silêncio pasmo. Palmas constrangidas e agoniadas que não conseguem parar.