Mostrando postagens com marcador Abre aspas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Abre aspas. Mostrar todas as postagens

1 de fevereiro de 2010

Amava
A mais não poder
Por isso fazia
Seu grão de poesia
E achava bonita
A palavra escrita
Por isso sofria
de melancolia
Sonhando o poeta
Que quem sabe um dia
Poderia ser

Vinicius de Moraes

(É comum eu me identificar com textos que não são meus. Mas não me lembro de ter visto algo que me retratasse tanto sem ter saído de mim.)

14 de janeiro de 2010

Cupido e Psique


Psique era filha de certo rei e certa rainha e possuía duas irmãs de beleza encantadora que não se comparava porém a sua própria beleza. A fama de tal encanto fazia com que estranhos viessem de longe para admirá-la, o que irritou profundamente Vênus, que não se conformava com seus autares desprezados para devoção de uma mortal.
- Terei, então, de ser eclipsada em minhas honras por uma jovem mortal? Lhe darei motivo para se arrepender dessa beleza injustificada.
Sendo assim, a deusa chama seu filho Cupido e o manda castigar a jovem.
- Castiga, meu filho, aquela audaciosa donzela. Infunde em seu peito uma paixão por algum ser baixo, indigno, para que ela colha uma mortificação tão grande quanto o triunfo de agora.

Cupido encaminhou-se então ao quarto de Psique, com gotas de água amarga e outras de água doce, retirada da fonte de Vênus. Ao vê-la, quase foi tomado por piedade mas ainda assim derramou sobre seus lábios gotas de água amarga. Depois, tocou-a com a ponta de sua seta, o que fez a jovem acordar. Quando Psique abriu os olhos em frente a Cupido, que estava invisivel, ele se atrapalhou e feriu-se com a própria seta. Descuidando-se do ferimento, seu unico pensamento era corrigir o mal que havia feito e derramou as gotas doce sobre os cabelos de Psique.

Depois desse dia, todos os jovens admiravam e exaltavam Psique, mas nenhum pretendente lhe aparecia para propor casamento. Os pais, desesperados com a tristeza da filha, consultaram o oráculo de Apolo:
- Psique não se destina a ser esposa de um jovem mortal e sim de um monstro que a espera no alto da montanha, a quem nem os homens nem os deuses podem resistir.

Quando chegou ao alto da montanha, desesperada de medo, o gentil Zéfiro conduziu suavemente Psique a um vale florido, que se acalmou e adormeceu sobre a relva. Ao acordar, entrou no bosque e se deparou com um imenso palácio que não parecia ser obra de mortais. Enquanto admirava o palácio cheio de ornamentos de ouro e aposentos majestosos, ouviu uma voz:
- Tudo que vês é teu. Nós, cujas vozes ouves, somos teus servos e obedeceremos às tuas ordens com a maior atenção.
O marido de Psique vinha, porém, apenas nas horas de escuridão e partia antes do amanhecer. Apaixonada, ela implorava que ele a deixasse apenas ver seu rosto, mas ele recomendou-lhe que jamais tentasse, pois tinha bons motivos para escondê-lo.
Uma noite, porém, envenenada pelas irmãs que invejosas disseram que seu marido era provavelmente uma serpente, aconselharam Psique a acordar durante a noite e iluminar seu rosto, pronto para matá-lo caso fosse um monstro realmente.
Ao fazer isso, acidentalmente Psique acordou o marido.
- Tola Psique, é assim que retribuis meu amor? Vai, volta para junto de tuas irmãs, cujos conselhos prefere aos meus. Não lhe imponho outro castigo a não ser deixar de ver-me para sempre.
A jovem, após algum tempo, recebeu o conselho de Ceres, deusa da terra, que lhe disse para render-se a Vênus e conseguir-lhe perdão pela submissão.
Vênus a recebeu com a ira estampada no rosto:
- Tu, a mais infiel das servas lembras-te que tem uma senhora? Ou talvez tenha visto apenas para ver o marido enfermo pela ferida que lhe causou a esposa.

Ordenou então que Psique fizesse vários trabalhos de casa, provando que poderia ser uma boa nora. Psique chegou a descer ao inferno para buscar com Perséfone um pouco de sua beleza para oferecer à Vênus. Porém, a curiosidade fez com que ela olhasse a caixa dada por Perséfone antes de entregá-la a Vênus, mas ali apenas encontrou o sono, que a fez desfalecer no mesmo lugar onde estava. Cupido, porém, vendo o sofrimento da esposa, foi buscála.
- Mais uma vez quase morreste devido à curiosidade. Porém, provou seu amor.
Cupido a transformou em imortal e juntos tiveram uma filha que foi chamada Prazer.

A história de Cupido e Psique retrata a alma humana, purificada pelos sofrimentos e infortúnios e preparada então para apreciar a pura e verdadeira felicidade eternamente, por isso vale a pena.

(Calma, se você leu até o final, eu também achei que não acabava mais. Mas a história é clássica e vale ser lembrada. Gosto muito de mitologia e queria colocar algum mito marcante para mim. Fiquei em uma dúvida ferrenha entre vários, como Píramo e Tisbe, Dafne e Apolo, as rivais de Juno e outros. Bom, com certeza colocarei mias ao longo do tempo mas queria hoje uma que tivesse o final feliz. E apesar da vida sofrida de Psique, o final dela foi feliz.Não concordo muito com a moral da história, mas isso não interessa muito né? Também não gosto muito dessa linguagem mais formal, antiga, sei lá... Mas estava sem inspiração para atualizar Cupido e Psique hoje e as outras histórias, apesar de lindas, tem todas um final meio ou completamente triste.)

4 de janeiro de 2010

Te dou um pedacinho do chão se você estiver precisando de terra firme, mas se estiver precisando de sonhos te dou um pedacinho de algodão doce.
Te ouço ao telefone, mesmo se a ligação for caótica, com o mesmo prazer e atenção que teriamos se estivéssemos olho a olho.
Eu te falo e te ouço com o olhar, mesmo distante, em sintonia telepática.
Eu te amo e não tenho medo de más interpretações, te amo e pronto.
Sou verdade e razão, sonho e sentimento, sou para sempre, mesmo que o sempre não exista.

(Achei esse revirando meus papéis. Provavelmente é da minha irmã e é uma das coisas mais lindas que eu já li. Se estava nas minhas coisas, ela deve ter escrito pra mim algum dia, não me lembro.)