11 de setembro de 2010

Áustria - sobre tudo inicialmente

Tenho pensado muito em como escrever tudo o que tenho vivido e olha que nunca me foi dificil colocar a vida em palavras. Mas talvez as últimas experiências tenham sido tão intensas que até as palavras tem me faltado. São experiências daquelas de ficar engasgado, com os olhos marejados, sem saber sequer o que pensar.
Não tenho sabido muito bem o que pensar. Tenho feito como nos comerciais de refrigerante: vivido a vida intensamente. Acho. Devíamos fazer isso sempre.

Mas vamos tentar ser mais diretos. Graz é uma cidade linda. Talvez porque seja e primeiro contato real com um lugar tão antigo. Goiânia tem apenas 70 anos! Então ainda me encanto com esses castelos ao meu redor,os bancos situados em locais que há séculos atrás deviam ser mansões dos duques, duquesas, barões e outros níveis quaisquer. Me encanto com poder beber água da torneira, com ver as pessoas enchendo as garrafinhas de água nas fontes das praças. Me encanto com a biblioteca itinerante que coloca imensos pufes no meio das praças pra você deitar e ler o que quiser.

Do meu quarto eu posso ver o Schlossberg. É a paixão do pessoal da cidade, o símbolo da luta, da conquista. O que eu entendi a guia dizendo foi que, em alguma das muitas guerras européias, soldados franceses invadiram o Schlossberg e o estavam explodindo por dentro. Mas o castelo é tão grande e tão peculiarmente construído que tinha que ser explodido pouco de cada vez. E enquanto tentavam explodi-lo, o pessoal da cidade juntava dinheiro. Ate que conseguiram uma quantia
suficiente para convencer os soldados a deixarem o castelo. Não sei se foi exatamente isso, mas se não foi, criei uma bonita história.

Tudo aqui fazemos a pé. Andei de ônibus vez ou outra, mas tudo é tão perto que vai a pé mesmo. Para a faculdade, para os cafés, para os pontos turísticos, parques. Quase todo mundo tem uma bicicleta e existem ciclovias em todos os lugares. As bicicletas respeitam os semáforos e as faixas de pedestres. Aliás, há semáforos para pedestres, que precisam ser respeitados. Ninguem atravessa se o sinal não estiver verde, mesmo que não haja um carro sequer vindo.

Sobre as comidas


Estranho, mas em duas semanas ainda não consegui descobrir o que as pessoas aqui almoçam. Porque não é possível que a cidade passe todos os dias com sanduíche de carne empanada. Todo tipo de carne empanada:peru, porco, frango, peixe. E um sanduíche realmente grande.
Por isso, não há um dia sequer que eu não agradeça as vezes em que fiquei no pé do fogão vendo mamãe cozinhar e peguei um jeitinho ou outro. Obrigado mãe! Eu te amo.

Do que eu estou realmente sentindo falta? Feijão e sucos de verdade.Cheguei ao extremo do meu suco preferido ser o de laranja, de caixinha. Claro que é de caixinha. Até carne moída vem em caixinha. Mas laranja em caixinha é o que eu dizia detestar. Bem feito, sempre me ensinaram a não detestar nada.

E haja batatas! Praticamente todo prato em todo restaurante acompanha batatas e dois quilos de batata prontas pra fritar no supermercado custa 1,20 euro. Na verdade, não é caro comer aqui. Algumas coisas saem bem mais baratas que no Brasil, como o próprio arroz (que vem em caixinha) e o quilo custa 0,89 euro. Frutas e verduras são a mesma coisa (sim, estamos no mesmo planeta), só falta uma coisa ou outra e acrescenta-se mais uma ou outra diferente.

Sobre o alemão

Ninguém se preocupe, já aprendi as quatro palavras mais importantes: 'Ohne Zwiebel' e 'Leitung Wasser'. E 'bitte', claro. Sempre. 'Bitte' serve pra tudo. Não sabe o que dizer diga 'bitte'. Ohne Zwibel é importante sempre que vou comer fora e 'Leitung Wasser' para acompanhar a comida, opção realmente interessante e normalmente não cobrada.

Entre outras experiências, tentei pagar uma conta falando em português com a moça do caixa. Me pego falando em inglês com os brasileiros ( e sendo respondida em português!) E tive que me virar em alemão com uma vendedora chinesa porque as botas dela estavam realmente baratas.

Sobre as pessoas

Ok. Ninguém me catou para um abraço no meio da rua ainda. Mas os austríacos são realmente muito simpáticos e dispostos a ajudar. E fale com eles em alemão que ganha um sorriso a mais. Eles sorriem muito. Sim, ainda estamos no mesmo planeta.
Na faculdade então, a simpatia se multiplica.

Além disso, nunca tinha visto antes tantas pessoas de tantos lugares. Chineses, brasileiros, sérvios, finlandeses, espanhóis, egípcios, gregos, tchecos, lituânios, tudo numa coisa só. Se bobear, há mais estrangeiros que austríacos em Graz.

Ah, fale em alemão com os nativos que você até ganha um doce no ponto de ônibus. Experiência alheia.

Sobre os preços

Comer pode ser barato.
Roupas podem ser baratas. Com sorte.
Calçados podem ser baratos. Procurando.
Kebaps (sanduíche meio turco) são baratos.
Morar é caro.

Sobre a saudade

Ok. Próximo post ou ninguém lerá esse texto até o fim. Se é que alguém está lendo essa frase.

3 comentários:

  1. Eu li!!! E senti uma inveja tão orgulhosa de você!!! Parabéns, você é demais!!!

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  2. eu liiiiiiii....saudadeeeee

    kel

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  3. Bateu uma saudade bruta hoje :(

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