21 de outubro de 2011

Traços

" Detesto dizer que não.
Dizer "não" me atrapalha internamente.
Alguma coisa em minha estrutura se altera e me faz mal.

As razões que me motivam a escrever coisas, a me expor sobre certas coisas são quase sempre ridiculamente bobas. As razões que me alteram, que mexem comigo internamente são quase sempre ridiculamente bobas.

Eu sou quase sempre ridiculamente boba.

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Tive que aprender a me decidir sobre coisas. Dizer onde não ia, com quem não ia e o que não ia fazer. Duas escolhas, sim e não, sempre me trouxeram um pouco de tormento.
A questão é que coisas tem me feito pensar. Vontades tem me feito agir. E eu quase nunca aprovo a maneira que ajo.

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Minha mente funciona de uma maneira tão libriana em que peso todo o possível em pouco tempo. O que acontece no final é que quase nunca estou em um lugar completamente.

Realmente, eu penso demais nos outros. Realmente eu penso demais. Mas eu também detesto que me digam o que fazer. E nisso pode estar um dos pontos que eu procuro.

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Tudo está conscientemente cosido. Afinal a vida não é isso? Essa mania de explicação. Essa mania de padronização. Essa mania de conceituação.
Existem em mim uma forma borrada, um emaranhado de características, nada com um traço perfeito de lápis 6B. O grande problema é a pressão de estabelecer essa forma exata, traçada ao longo da vida, iniciada com as linhas pontilhadas das tias da alfabetização.

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' O que faltava, filha, e que você tanto procurava, era (é) não ter que procurar nada.' "

3 comentários:

  1. Exatamente! Nós somos tão complexos que qualquer tentiva de uniformização, de linearidade, de determinismo, tira um pouco (ou um monte) da nossa própria dignidade, da nossa condição de humanos. Fico pensando que se as pessoas conseguissem apreender isso já seria uma grande revolução!

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  2. "iniciada com as linhas pontilhadas das tias da alfabetização"... G-E-N-I-A-L!!

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  3. Leio... releio... e não acho nada pra acrescentar.
    Se isso é bom ou ruim, eu também não sei. Haha :)

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